"Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo."
Bernardo Soares
Livro do Desassossego
sábado, 25 de abril de 2015
25 de Abril
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ANDERSEN Sophia de Mello Breyner
domingo, 29 de março de 2015
O Cristo Cigano, de Sophia de Mello Breyner Andersen
Publicado
pela primeira vez em 1961 com o nome “O Cristo Cigano ou a Lenda do Cristo
Cachorro”, vai atualmente apenas na 5.ª edição, uma vez que a poeta, durante
muitos anos, achou esta uma obra menor da sua produção, e a foi negligenciando.
É um
livro poema que se lê de um trago. Ou por outra, saboreia-se de um trago.
Porque poesia e a poesia de Sophia não se leem – saboreiam-se. Talvez seja a
mais pequena obra da poeta – apenas onze poemas, cujo maior tem 14 estrofes, e
a sua grande maioria terá quatro ou cinco.
Uma
obra pequena ao mesmo tempo que é uma grande obra que não se consegue descrever
ou opinar. Quem a quiser conhecer, terá de a ler, num dia em que se sinta com
um espírito aberto à manifestação do eu poético que emana desta obra.
VII
TREVAS
O que foi antigamente manhã limpa
Sereno amor das coisas e da vida
É hoje busca desesperada busca
De um corpo cuja face me é oculta.
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ANDERSEN Sophia de Mello Breyner
quinta-feira, 26 de março de 2015
Luís Miguel Rocha - 1976-2015
Um dos maiores talentos portugueses da atualidade.
"O autor Luís Miguel Rocha era vítima de doença prolongada e encontrava-se em casa de familiares em Mazarefes, distrito de Viana do Castelo. Segundo um familiar próximo relatou à agência Lusa, o escritor esteve internado no hospital de Viana do Castelo, vindo a falecer hoje, dia 26 de março, em casa. " (fonte).
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Os Crimes do ABC & O Enigma do Sapato, de Agatha Christie
Estes dois romances de Agatha Christie, protagonizados pelo detive Belga Hercule Poirot, foram publicados pela primeira em 1936 e 1940 respetivamente.
Apesar de serem obras diferentes com panos de fundo diferentes, ambas contam com uma série de homicídios e com uma grande reviravolta no final. O grande senão de ambas é precisamente esse: a reviravolta final é pouco preparada ao longo do livro, parecendo rebuscada em excesso. Ou talvez não. Na verdade, depois de sabermos como tudo termina, e relembrarmos a narrativa em si, percebemos que os indícios estavam lá, mas simplesmente passaram-nos ao lado. Porque talvez sejamos demasiado objetivos, como a Scotland Yard o foi, e não atentássemos devidamente aos pormenores, como Poirot atenta.
Dois interessantes livros de Agatha Christie, longe de um top, mas ainda assim uma leitura bastante interessante.
domingo, 18 de janeiro de 2015
Os Pilares da Terra, de Ken Follet
Depois da “Crónica
de Santo Adriano”, de João Aguiar, não poderíamos ter mergulhado melhor numa
outra obra. Tão boa quando a anterior, mas totalmente diferente dela. Os Pilares da
Terra foram publicados pela primeira vez em 1989 em Inglaterra, de onde o seu
autor é natural. Em Portugal, a tradução foi lançada apenas em 2007, dividida
em dois volumes que totalizam cerca de 1100 páginas.
É aquele livro
que agarramos e não conseguimos largar até chegar ao fim. Tom Pedreiro, Ellen,
Alfred, Prior Philip, Jonathan, Aliena, Waleran Bigod, William Hamleigh e
tantos outros que nos prendem e nos fazem acompanhar as suas vidas. Com efeito, visto que a narrativa decorre ao longo de uma parte considerável do séc. XI, acompanhamos
algumas das personagens desde o seu nascimento até a uma idade considerável. Assistimos
igualmente a nascimentos e mortes. A invasões e a guerras. Mas o grande pano de
fundo deste romance histórico é mesmo a construção de uma catedral. É torno
dela que tudo gira. Por ter uma ação narrativa tão alargada no tempo, permite
não só uma maior construção das personagens, como também conhecermos a sua própria evolução
ao longo da vida.
Uma obra bem
construída que jamais se conseguirá resumir sem perder o seu próprio brilho. Se
é muito boa, o final é apenas bom. Com efeito, apesar de tudo
convergir para o final em causa (ou para os “finais” das várias personagens),
este escorre muito rapidamente, sem o brilho da restante narrativa. Contudo,
não deixa de ser um dos mais fantásticos romances históricos que já lemos.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Trilogia “Crónica de Santo Adriano”, de João Aguiar
“Crónica de Santo
Adriano” foi o nome que João Aguiar deu a um conjunto de três livros seus,
sequenciais cronologicamente falando, apenas no seu foro íntimo, segundo
palavras do próprio. São eles “Os comedores de Pérolas” (1992), “O Dragão de
Fumo” (1998) e “Catedral Verde” (2000). Tem como protagonista Adriano Carreira,
jornalista e escritor, marcado pela vivência com a cultura macaense e pela sua
ligação a Portugal. Este é um dos panos de fundo das obras: os momentos
pré-passagem de Macau, o Dragão de Fumo, ao domínio chinês.
Se os dois
primeiros livros se passam em Macau, entre aventuras e desventuras de Adriano
Carreira e da sua filha, o terceiro passa-se em Portugal, e “corre” no momento
em que é feita a transferência do território para a China. A obra é pontuada
por uma enormidade de pormenores que revelam um verdadeiro conhecimento por
parte do autor da cultura e da vivência macaense. Enquanto que os dois primeiros
livros são obras de ação, isto é, existe uma intriga, quase que policial, que
envolve toda a narrativa, “Catedral Verde” é essencialmente uma busca pela
própria descoberta do protagonista. Com efeito, “mergulhamos” dentro deste, de
uma forma bastante singular, acentuada pelo facto deste último volume ser
narrado na primeira pessoa.
É uma obra que se
pretende devorar. À medida que se vai lendo, quer saber-se sempre mais e ir
mais além. Sem dúvida uma das melhores leituras dos últimos tempos.
sábado, 22 de novembro de 2014
Jogo de Espelhos, de Agatha Christie
Publicado em 1952 com o título "They do it with mirrors", "Jogo de Espelhos" é o 12.º livro da série "Marple", da autoria de Agatha Christie.
Um entrançado interessante, em que Miss Marple, ao contrário do quem vem acontecendo em alguns livros da saga, assume um papel ativo na investigação do homicídio, em casa de uma grande amiga de infância. Uma família de pessoas onde existem mais ressentimentos e ódios entre todos, do que espírito de união familiar, tendo como "cereja no topo do bolo" a existência de um asilo para jovens deliquentes, que muitos querem usar como bode expiatório do crime cometido.
Não será o melhor livro da saga, mas sem dúvida que é um daqueles a não perder.
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