Esta é uma coletânea e seleção de poemas de Fernando Pessoa – Ortónimo organizada pela Porto Editora. Tem presente poemas nas suas mais variadas formas, com métricas e rimas mais ou menos regulares, chegando a ter sonetos de Pessoa, como [súbita mão de algum fantasma oculto]. Traz muitos dos poemas que conhecemos deste poeta, como “Autopsicografia” ou “o menino de sua mãe”, e também algumas novidades. Poucas. A nosso ver, é uma seleção bastante pobre para um grupo que domina inclusivamente grande parte dos manuais escolares que por aí existem. Não vai mais além na poesia pessoana. Contudo, isto é apenas uma opinião.
"Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo."
Bernardo Soares
Livro do Desassossego
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Poesias Ortónimo, de Fernando Pessoa
Esta é uma coletânea e seleção de poemas de Fernando Pessoa – Ortónimo organizada pela Porto Editora. Tem presente poemas nas suas mais variadas formas, com métricas e rimas mais ou menos regulares, chegando a ter sonetos de Pessoa, como [súbita mão de algum fantasma oculto]. Traz muitos dos poemas que conhecemos deste poeta, como “Autopsicografia” ou “o menino de sua mãe”, e também algumas novidades. Poucas. A nosso ver, é uma seleção bastante pobre para um grupo que domina inclusivamente grande parte dos manuais escolares que por aí existem. Não vai mais além na poesia pessoana. Contudo, isto é apenas uma opinião.
sábado, 23 de agosto de 2014
Crime nas Trevas, de Peter Blauner
É sem dúvida um policial, em que os erros de um inspetor vêm
ao de cima vinte anos depois de ter sido cometido um crime e condenado um jovem
pela sua execução. Jovem este que sempre disse estar inocente. Contudo, este
crime, passado em 1983, deixou muitas pontas soltas, e a ação deste livro serve
precisamente para atar as pontas que nesta altura ficaram desatadas. E irão
descobrir-se coisas terríveis.
Este é um livro que nos faz refletir sobre o custo de querer
ser um profissional (ou dar essa imagem), passando por cima de procedimentos,
legais ou não, de outras pessoas e do seu bem-estar. Um bom nível de ação, a
descoberta interior dos dois protagonistas (o inspetor e o putativo criminoso),
adensa a trama. Não é o livro que nos faz perder o fôlego, contudo, desperta a
curiosidade e vontade de o levar até ao fim.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Inferno no Vaticano, de Flávio Caputelo
Este é um livro que tem
o Vaticano e o Papado como pano de fundo e foi lançado já neste ano de 2014. Podemos
distinguir duas narrativas distintas: a do thriller em torno de uma importante
descoberta na cidade do Vaticano, em que vão sendo assassinadas algumas pessoas
de uma irmandade secreta, e o romance entre o inspetor Luís Borges e a
simbologista Valéria Del Bosque.
Enquanto que a primeira
narrativa é pontuada por um excelente discurso de suspense e intriga, isto é,
um policial de alta qualidade, a parte romanesca assume a face mais pobre do
livro do ponto de vista da imaginação e da qualidade da escrita. Se assumirmos
que escrever é algo que precisa de prática, acreditamos que o autor tem um potencial
a desenvolver neste campo, podendo vir a proporcionar ao público bons livros,
melhores que este, num futuro.
domingo, 20 de julho de 2014
Homens há muitos, de Francisco Salgueiro
Este livro vai
presentemente na 7.ª edição, tendo sido lançado pela primeira vez em 2003. Foi o
primeiro livro do autor, e tendo nós lido alguns dos seus últimos títulos (os
dois “O Fim da Inocência”), conseguimos notar uma natural evolução da sua
escrita.
Este é um romance
narrado na primeira pessoa, o que, como já aludimos aqui várias vezes,
preferimos, em virtude de criar uma maior envolvência com o leitor. Relata a
história de uma amizade entre um homem e uma mulher, a entrar nos 30s. É assumidamente
um romance romântico, como o próprio autor o define, tendo passagens oportuna e
excessivamente lamechas. Contudo, e uma vez que todo o bom livro deve ter uma
mensagem, a deste centra-se essencialmente no dilema que muitos encontramos
dentro de nós entre fazermos da nossa vida aquilo que queremos ou aquilo que os
outros querem que façamos dela.
Pode assumir-se como uma
excelente companhia num dia de praia neste verão.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
O Seminarista, de Rubem Fonseca
Este é um livro muito rápido de se ler. o autor tem uma escrita fluente e escorreita, quase cinematográfica. A narração avança num modo bastante rápido. sendo este livro um romance policial, o autor fundiu na mesma personagem o protagonista, o detetive e o assassino, de uma forma completamente alternativa ao policial a que estamos habituados.
Contudo, não deixa o autor de pontuar o livro com excelentes notas de ironia, como esta:
"Podemos nos encontrar em outra parte. Para jantar, por exemplo. O que gosta você de comer?"
"Qualquer coisa."
"Conheço um restaurante que faz uma qualquer coisa deliciosa."
"Combinado", disse o tira.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Bichos, de Miguel Torga
“Bichos”
é uma antologia de 14 contos da autoria de Adolfo Correia Rocha, que utilizou o
pseudónimo literário de Miguel Torga. Lançado pela primeira vez em 1940, esta é
uma obra que conta com inúmeras reedições. Encontramos aqui bichos que pensam e
bichos que interagem com o bicho homem. Um cão de caça, um gato, uma mulher em
trabalho de parto, um burro, um sapo, um galo, um pintassilgo, uma cigarra, um
pardal, um pastor, um melro, um touro, um colecionador de insetos e um corvo: são
estes os bichos!
A
morte e um tema que atravessa toda a obra, nas suas mais variadas formas: o
assassínio, a morte por divertimento, a morte por crueldade, a morte por
piedade, a morte por abandono, o nado-morto. Torga presenteia-nos com um
cenário serrano ao longo destes contos, pontuado com excelentes passagens, que
nos fazem refletir, algumas, e outras com uma certa dimensão
humorístico-irónica.
“A gente também vive de boas palavras”
(p. 49)
“- Há-de ficar para
galo!
E a
sujeita tinha palavra. Em Maio, por alturas da Ascensão, ao dar de caras com os
irmãos degolados e depenados, ainda lhe tremeu a passarinha. Olha que
brincadeira! Felizmente que a dona sabia distinguir o trigo do joio, e o
deixava para semente... “
(p. 70)
“A sua alma era muda como um túmulo” (p.
103)
“ A significação da vida ligara-se
indissoluvelmente ao acto de insubordinação. (…) Que nada podia contra àquela
vontade inabalável de ser livre” (p. 134)
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen
Hoje,
no dia em que se assinalam os dez anos da morte de Sophia de Mello Breyner,
prestamos-lhe homenagem a uma das maiores escritoras do séc. XX aqui, através
deste livro que conjuga uma versatilidade da escrita. Foi publicado pela
primeira vez em 1984, e vai neste momento na 23.ª edição, em várias editoras
diferentes.
Este é
um conjunto de cinco contos, protagonizados por uma Gata Borralheira diferente
daquela que conhecemos do conto infantil. Uma mulher a lavar a loiça. Um jovem
rapaz que quer ser um homem do mar. Lúcia, Joana e Hans. E depois destes, há dois contos que conseguem
ser protagonizados não por pessoas, mas por uma casa e por um lugar. Aqui se vê
a versatilidade de Sophia e quão longe ela consegue ir no trabalho com as
palavras e com a língua.
De todo
o livro, destacamos a deliciosa e idílica descrição de uma casa junto à praia,
assim como da própria praia:
"Para além das dunas a praia estende-se a todo o comprimento da costa e só o limite do olhar a limita. E, de norte a sul, ao longo das areias, correm três linhas escuras e grossas de algas, búzios e conchas, misturados com ouriços, pedaços de cortiça e pedaços de madeira que são restos de bóias e de barcos. Sobre a areia molhada que a maré-cheia alisou o poisar das gaivotas deixa finas pegadas triangulares, semelhantes à escrita de um tempo antiquíssimo." (p. 72)
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ANDERSEN Sophia de Mello Breyner
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