"Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo."
Bernardo Soares
Livro do Desassossego
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Trilogia “Crónica de Santo Adriano”, de João Aguiar


“Crónica de Santo Adriano” foi o nome que João Aguiar deu a um conjunto de três livros seus, sequenciais cronologicamente falando, apenas no seu foro íntimo, segundo palavras do próprio. São eles “Os comedores de Pérolas” (1992), “O Dragão de Fumo” (1998) e “Catedral Verde” (2000). Tem como protagonista Adriano Carreira, jornalista e escritor, marcado pela vivência com a cultura macaense e pela sua ligação a Portugal. Este é um dos panos de fundo das obras: os momentos pré-passagem de Macau, o Dragão de Fumo, ao domínio chinês.

Se os dois primeiros livros se passam em Macau, entre aventuras e desventuras de Adriano Carreira e da sua filha, o terceiro passa-se em Portugal, e “corre” no momento em que é feita a transferência do território para a China. A obra é pontuada por uma enormidade de pormenores que revelam um verdadeiro conhecimento por parte do autor da cultura e da vivência macaense. Enquanto que os dois primeiros livros são obras de ação, isto é, existe uma intriga, quase que policial, que envolve toda a narrativa, “Catedral Verde” é essencialmente uma busca pela própria descoberta do protagonista. Com efeito, “mergulhamos” dentro deste, de uma forma bastante singular, acentuada pelo facto deste último volume ser narrado na primeira pessoa.


É uma obra que se pretende devorar. À medida que se vai lendo, quer saber-se sempre mais e ir mais além. Sem dúvida uma das melhores leituras dos últimos tempos. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Inês de Portugal, de João Aguiar

 

Esta obra de João Aguiar foi publicada pela primeira vez em 1997, e tinha como objetivo ser o guião do filme do mesmo nome, dirigido por José Carlos Oliveira.

A narrativa principal centra-se no período que media a chegada de Pero da Coelho e Álvaro Gonçalves, feitos prisioneiros, a Santarém, até à sua execução. Contudo, o livro mergulha constantemente em analepses, seja nas lembranças de D. Pedro, sobre as vivências que teve com Inês de Castro, seja a de seus membros da corte, que assistiram não só ao florescer da relação entre ambos, como também ao próprio julgamento e aplicação de pena de morte a Inês.

Um livro pequeno, que nota-se perfeitamente ser um roteiro cinematográfico. Poucos estados de alma e descrições sumárias. Narrativa avança em grande velocidade. Uso e abuso do discurso direto livre, em que não se utilizam travessões, apenas vírgulas, para as falas das personagens. Uma obra que retrata a mais célebre história de amor portuguesa, e que nos traz um D. Pedro mergulhado nas amarguras dos seus ódios.